top of page

O Legado de Jonas: Coragem e Filosofia

  • centrohansjonasbra
  • 6 de nov. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 7 de nov. de 2025

Fala de John Jonas, filho de Hans Jonas, por ocasião do Congresso Internacional Hans Jonas — Responsabilidade hodierna para com o futuro, que marcou a fundação da Sociedade Internacional Hans Jonas (IHJS)


"Não consigo ver todos os rostos aqui, mas o Professor Böhler tem sido um grande amigo da família e trabalhou muito de perto com ele, assim como o nosso querido amigo Ralf Seidel, que há muito tempo é o presidente da Sociedade Hans Jonas de Mönchengladbach. Agradeço por isso.


Sim, eu sou o filho de Hans Jonas e, como foi mencionado, o gene filosófico não passou para mim. Sou advogado na área da saúde em Washington, D.C., mas aprecio a oportunidade de refletir um pouco sobre o homem que vocês se reuniram para discutir.


Falarei apenas por alguns minutos e agradeço a paciência. Antes de tudo, fico profundamente emocionado — como ele também ficaria — ao ver o contínuo interesse por sua obra, trinta e dois anos após sua morte. Nada o deixaria mais satisfeito do que ver uma reavaliação rigorosa de seu pensamento e de sua relevância contínua. Sem dúvida, é essa a medida de um verdadeiro filósofo: suas ideias resistirem ao tempo e à crítica. Portanto, fico muito feliz em ver esta conferência acontecendo.


Algumas reflexões: ter um filósofo como pai teve suas vantagens. Atribuo aos debates vigorosos que ele travava comigo sobre minhas opiniões a formação das habilidades analíticas que me tornaram um advogado bem-sucedido. Na casa dos Jonas, era preciso defender sua posição e sustentar seus argumentos.


Muitas de nossas discussões giravam em torno da ciência política, que foi minha área acadêmica, mas, como em tantas outras coisas, meu pai trazia uma perspectiva única e uma clareza incomparável a qualquer tema que abordasse. Lembro-me com carinho de seu foco quase instintivo na essência de qualquer questão e de sua capacidade de perceber rapidamente as falhas lógicas, os preconceitos e os equívocos.


Meu pai sempre gostava de recorrer aos filósofos gregos para ilustrar um ponto. E, como costumávamos dizer, Platão era o 'fantasma bem-vindo' em nossa casa. Gostaria de mencionar um ou dois atributos que, acredito, continuam profundamente relevantes.


Primeiro, a coragem de meu pai — não apenas a coragem das ideias ousadas, mas também a coragem pessoal de agir quando era necessário, custasse o que custasse. Grande parte de sua vida adulta foi vivida em tempos sombrios. Infelizmente, essa escuridão parece estar retornando, tanto no meu país quanto na Europa. Ele fugiu de sua pátria, juntou-se a três exércitos diferentes — o Haganá, o Exército Britânico e o Exército Israelense — para lutar por aquilo em que acreditava. Mas, o mais importante, nunca permitiu que o mal ou a tragédia o derrotassem.


Ao contrário, ele amava a natureza essencial do ser humano; via beleza e encontrava alegria em coisas que talvez outros ignorassem. Uma vez, enquanto conversávamos sobre tempos sombrios, perguntei-lhe: 'Como você conseguiu evitar ficar terrivelmente deprimido?' E ele respondeu: 'Nunca estive deprimido na vida. Sempre soube o que precisava ser feito'. Ele trouxe grande coragem à própria vida.


Por fim, meu pai tinha uma consciência aguda de como a história trataria os pensadores de sua época e de como os alicerces intelectuais que construíram poderiam ruir quando submetidos a pressões intensas. Em 1964, na Universidade Drew, como muitos de vocês sabem, meu pai confrontou Martin Heidegger — seu antigo mentor — e sua abordagem da teologia, chamando-a de uma forma de niilismo. Ele reconhecia que uma filosofia desprovida de fundamentos morais não poderia sobreviver.


E, em nosso tempo, acredito que ele ainda saberia distinguir entre aqueles pensadores que trabalham em prol de um bem duradouro e aqueles que se curvam aos ventos do poder e da conveniência para promover a si mesmos.


Desejo muito sucesso à conferência. Sigam em frente — e mais uma vez, agradeço a oportunidade de compartilhar estas palavras.".



*Obra de autoria do artista Rafael Mesquita (@rafames_art), pertencente a acervo de colecionador.



Jonas Legacy: Courage and Philosophy


Speech by John Jonas, son of Hans Jonas, on the occasion of the International Conference Hans Jonas — Responsibility for the Future Today, which marked the founding of the International Hans Jonas Society (IHJS).


"I can't see all the faces here, but Professor Böhler has been a close friend of the family and worked very closely with him, as did our very good friend Ralf Seidel, who has been the longtime head of the Mönchengladbach Hans Jonas Society. So, thank you for that.


So yes, I am the son of Hans Jonas, and as was noted, the philosophical gene did not pass to me. I practice healthcare law in Washington, D.C., but I appreciate the opportunity to reflect a little bit on the man you have gathered to discuss.


I'll speak for just a few minutes, and thank you for your indulgence. Firstly, I’m very heartened—as he would be—to see the continued interest in his work these thirty-two years since his passing. I think nothing would please him more than to see a rigorous re-examination of his thought and of its continued relevance. It is no doubt the measure of a philosopher that their ideas can withstand the passage of time and critical analysis. So I’m very glad to see this conference taking place.


Just a few reflections: having a philosopher as a father had its benefits. I credit his vigorous debates with me on my opinions for providing me with the analytical skills to become a successful lawyer. In the Jonas household, you had to defend your position and hold your ground.


A lot of our discussions centered on political science, which was my academic major, but, like so many things, my father brought a unique perspective and clarity to any topic he undertook. I always fondly remember his almost instinctive focus on the essence of any issue and his ability to quickly see through faulty logic, prejudices, and misconceptions.


My father always enjoyed reaching back to the Greek philosophers to make a point. And as we liked to say, Plato was the welcome ghost in our house. I'd like to touch on one or two attributes that I think remain deeply relevant.


First, my father’s courage — not only the courage of bold ideas, but the personal courage to act when it was needed, come what may. Much of his adulthood was spent in dark times. Unfortunately, this darkness seems to be returning, in my country and in Europe as well. He fled his homeland, joined three different armies — the Haganah, the British Army, and the Israeli Army — to fight for what he believed in. But, importantly, he never let evil or tragedy defeat him.


On the contrary, he loved the basic makeup of humanity; he saw beauty and derived joy from things that perhaps others overlooked. Once, when we were discussing dark times, I asked him, 'How did you avoid being terribly depressed?' And he said, 'I was never depressed in my life. I always knew what had to be done'. He brought great courage to life.


Finally, my father was acutely aware of how history would treat the thinkers of his time, and how the intellectual foundations they built could crumble when pressed hard enough. Back in 1964, at Drew University, as many of you may know, my father challenged Martin Heidegger — his former mentor — and his approach to theology, calling it a form of nihilism. He recognized that a philosophy deprived of its moral underpinnings would not survive.


And in our own time, I believe he would still distinguish between those thinkers who work to further some kind of lasting good and those who bend with the winds of power and caprice to further themselves.


So, best of luck with the conference. Have at it, and thank you again for the opportunity to make these remarks.".


 
 
 

Comentários


apoio:

cnpq-logo-black-and-white_edited.png
  • White Facebook Icon
  • Youtube
  • White Instagram Icon

Desenvolvido por Agência Enxame

bottom of page